Cultura e honra: desvende a história dos Samurais

Os Samurais

Samurais em campo de batalha

A palavra samurai significa “aquele que serve ao senhor”. Com surgimento no Japão no século X, os samurais foram uma classe de guerreiros que prestaram serviços militares aos nobres, chamados de Daimyo, que era semelhante aos senhores feudais na Europa medieval. Esses senhores contavam com força militar, poder político e governavam suas respectivas regiões, cobrando impostos da população e obedecendo apenas ao imperador. Como soldados da elite, os samurais treinavam artes marciais desde criança e se desenvolviam em várias artes e técnicas. Mais tarde, já estavam em plena habilidade com a cavalaria, além do uso de arco, espada e armadura.

No período Edo (1603-1868) se desenvolveu uma hierarquia entre os samurais, havendo três classes principais, sendo elas: Gokenin, Goshi, Hamamoto.

Armas

Alguns tipos de armas utilizadas pelos samurais

Os samurais utilizavam várias armas e, no início, com a luta na cavalaria, utilizavam arco e uma espada curvada feita de aço (katana) com cerca de 60cm. Possuiam uma segunda espada curta (wakizashi) em torno de 30cm.  Os cabos das espadas feitos de madeira, cobertos com pele grossa da arraia gigante (same) e então trançados firmemente em seda. A lâmina se separava do cabo por uma pequena proteção circular. O samurai também costumava carregar um punhal pequeno (tanto) como uma arma em últimos casos. As espadas e punhais eram mantidos em bainhas laqueadas, que costumavam ser estilizadas.

Os primeiros samurais também usaram armas que logo seriam próximas à infantaria tradicional. Estas foram a lâmina (yari) e a alabarda (naginata). O comprimento da yari variava, mas as lâminas eram de dois gumes e mediam entre 30 a 74 cm em comprimento. Algumas lâminas tinham o formato em L, eram usadas para fisgar os inimigos de seus cavalos. Não se atirava lanças nas batalhas, eram usadas para golpear o inimigo. A naginata possuí um longo cabo com uma lâmina curvada presa nele. O cabo media em torno de 120 a 150 cm, e a lâmina de aço chegava a medir 60 cm. A arma era usada para dilacerar, cortar e perfurar um inimigo, e seu uso se tornou uma das artes marciais, especialmente aprendida pelas filhas de samurai.

Bushido: o código de conduta

Samurais

O Bushido, ou “o caminho do guerreiro”, era um código de conduta adotado por parte dos samurais,  mas foi registrado apenas no final do século XVII pelo sábio Yamago Soko (1622–1685), quando os samurais já não eram mais ativos militarmente, mas funcionavam mais como guias e conselheiros morais. Coragem, compaixão, obediência, honra, benevolência e retidão eram alguns dos valores presentes no Bushido.

O Bushido teve forte influência do budismo, xintoísmo e confucionismo. O código regia a relação entre samurai e Daimyo, mas também as relações entre pais e filhos, entre professores e alunos, entre imperadores e súditos, e a todas as instâncias sociais do Japão.”

Seppuku

Ritual de Seppuku

As batalhas culminavam em lutas até a morte, mesmo que significasse o suicídio para evitar a captura. O método de honra era o seppuku (conhecido como hara-kiri) onde os samurais consideravam a sua vida como uma entrega à honra de morrer gloriosamente, rejeitando cair nas mãos dos seus inimigos. O ritual consistia em um autodestripamento, pois acreditavam que o espírito estava no estômago, não no coração. Primeiramente, o guerreiro vestia um roupão branco (símbolo de pureza) e então cortava seu abdômen com uma faca atravessando da esquerda para a direita. Não era um método rápido ou eficiente de suicídio, então era comum haver um assistente com uma espada especial, conhecida como kaishakunin, para decapitar o samurai. Ao samurai cometer suicício após seu lorde, era esperado o suicídio de seus subordinados, por um código conhecido como junshi ou “morte pelo que segue”.

Declínio 

Samurais reunidos com um mapa em mãos

O declínio da classe samurai começou com as reformas da Restauração Meiji, que aboliram o sistema han (feudal) e promoveram a modernização e ocidentalização do Japão. Em 1876, foi proibido o porte de espadas, marcando o fim oficial da classe samurai, mas mantendo de forma forte o legado dos samurais na cultura japonesa e mundial. Seus princípios éticos ecoam em diversas práticas contemporâneas e a figura do samurai ainda promove imaginação popular, seja através do cinema, literatura ou artes marciais.